sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Rei dos Samurais: Shinmen Musashi

Ontem quando voltava pra casa tive a oportunidade de falar para um amigo sobre um dos livros mais bacanas que li: Musashi, de Eiji Yoshikawa.
É difícil falar tudo de bom que vi nesse livro... falei por quase uma hora e meia com esse meu colega e não disse nem metade do que tinha pra falar!
Para os aficionados pela cultura japonesa é leitura obrigatória. O livro é repleto de situações históricas, locais de interesse e grandes personagens. Para os narradores, então, é ler o livro e partir para narrar uma das melhores aventuras sobre samurais da sua vida!

Sinceridade, não dá pra conceber alguém descrevendo um cenário baseado na cultura do Japão feudal se não tiver lido esse livro.
A alma do samurai, suas inclinações, anseios e motivações são romantizadas e retratadas com excelência nessa obra-prima.

Pra completar um pequeno resumo biográfico do mais famoso samurai do mundo:

Miyamoto Musashi (1584-1645) foi o mais famoso samurai da história do Japão. Sua história é muito conhecida pelos japoneses, sendo considerado um de seus heróis nacionais.Admirado por seu caráter, Musashi destacou-se por sua força e habilidade descomunais. Criou o estilo de esgrima com duas espadas (Niten-Ichi), uma em cada mão, e escreveu o livro Gorin-No-Sho (O Livro dos Cinco Anéis), sobre a arte da espada e estratégias marciais.

Nasceu na aldeia de Miyamoto, província de Mimasaka, e se chamava Musashi Fujiwara. De seu pai, Shinmen Munisai (lembre, no japão o sobrenome vem antes do nome) um pequeno fidalgo rural, teve as primeiras lições com a espada. Aos treze anos, travou seu primeiro duelo, vencendo o então famoso espadachim Arima Kibei.Além de ter sido um duelista imbatível, Musashi também se dedicou a outras artes, como a caligrafia e a escultura, e chegou a escrever livros sobre esgrima e estratégia. Seu tratado mais conhecido é o Gorin No Sho (Livro dos Cinco Anéis).

Em 1643, ele se retirou em uma caverna conhecida como Reigandō, a oeste da cidade de Kumamoto. Como eremita escreveu o então seu tratado mais conhecido, o Livro dos Cinco Anéis ou"Gorin No Sho". "Go" significa cinco,"rin" significa anéis ,e "sho" significa escrito, pergaminho ou livro. Concluiu no segundo mês de 1645.

Musashi compilou uma lista de preceitos, que são conhecidos como Dokudo (o caminho da auto-confiança).

O caminho da Auto-confiança
  1. Eu nunca ajo contrário à moralidade tradicional.
  2. Eu não sou parcial com nada e nem com ninguém.
  3. Eu nunca tento arrebatar um momento de sossego.
  4. Eu penso humildemente de mim e grandemente para o público.
  5. Sou inteiramente livre de ganância em toda minha vida.
  6. Eu nunca lamento o que já fiz.
  7. Eu nunca invejo a boa sorte dos outros, mesmo estando com má sorte.
  8. Eu nunca aflijo-me por qualquer um, qualquer coisa ou qualquer tempo.
  9. Eu nunca censuro ninguém, ou me censuro para alguém.
  10. Eu nunca sonho em apaixonar-me por uma mulher.
  11. Gostar e não gostar de algo, é um sentimento que não tenho.
  12. Qualquer que seja a minha moradia, eu não tenho nenhuma objeção à ela.
  13. Eu nunca desejo um alimento saboroso.
  14. Eu nunca tenho objetos antigos ou curiosos em meu poder.
  15. Eu nunca faço purificação ou obstinência para proteger-me do mal.
  16. Eu não tenho apreço por nenhum objeto, exceto espadas e outras armas.
  17. Eu nunca daria minha vida por uma causa injusta.
  18. Eu nunca desejo possuir bens que tornem minha velhice confortável.
  19. Eu adoro deuses e budas, mas nunca penso em depender deles.
  20. Eu prefiro me matar do que desonrar meu bom nome.
  21. Nunca, nem por um momento sequer, meu coração e minha alma desviaram-se do caminho da espada.

12 de maio de 1645 - Shinmen Musashi


Para quem ainda duvida da qualidade dessa obra um pequeno trecho pra incitar a imaginação:

“Esse deve ser o templo Hozoin”, pensou Musashi, pisando a terra macia e passando entre as fileiras de viçosas hortaliças, nabos e cebolinhas.
Repentinamente, deparou com um velho monge que, empunhando uma pequena foice, cuidava da horta. Trabalhava em silêncio, curvado sobre a foicinha, suas costas formando uma corcunda rígida como madeira. Nessa posição, seu rosto era invisível, notando-se apenas parte da testa de onde emergiam as pontas das sobrancelhas, brancas e eriçadas. Apenas o som metálico do instrumento batendo ocasionalmente contra um pedregulho e quebrando o silêncio reinante acompanhava o movimento do idoso monge revolvendo a terra. “Este monge idoso também deve pertencer ao templo Ozoin,” pensou Musashi. Quis dirigir-lhe algumas palavras amáveis, mas foi contido pela profunda concentração do monge, totalmente dedicado a cuidar da horta. Prosseguiu portanto em silêncio, passando rente a ele. De súbito, Musashi sentiu, com um agudo sobressalto, que as pupilas do velho monge curvado sobre a foice acompanhavam fixamente pelo canto dos olhos o movimento de seus pés. Uma sensação aterradora e indefinível, sem forma ou voz — algo que não parecia provir de um corpo ou espírito humano, mais lembrando um raio prestes a romper as nuvens — percorreu instantaneamente todo o seu corpo.
Alarmado, imobilizou-se por uma fração de segundo e, no instante seguinte, tomou consciência de si próprio voltando-se para observar o pacífico vulto do idoso monge de uma distância de quase quatro metros. Seu coração batia acelerado, como se tivesse acabado de se desviar de um rápido golpe de lança com uma larga passada. A posição do velho não se modificara: agora de costas para Musashi, continuava curvado sobre a terra, o ruído metálico do metal contra a pedra cortando pausadamente o silêncio.
“Quem será esse ancião?”, pensou. Ainda intrigado e perseguido pela dúvida, Musashi viu-se afinal à entrada do templo Hozoin. “A crer no que dizem, Inshun, o sucessor, é ainda jovem, e o seu antecessor, In’ei, é um velho caduco, segundo acabo de saber...” Enquanto esperava o atendente, não conseguia apagar da mente a imagem do idoso monge. Anunciou-se duas vezes em voz bem alta, tentando espantar a incômoda questão, mas não obteve resposta, sua voz apenas ecoando pela floresta. Do vasto interior do templo ninguém apareceu.
(...)
Musashi percebeu que seus pressentimentos estavam certos e congratulou-se por sua própria perspicácia: o monge corcunda não era um indivíduo comum. Mas ao mesmo tempo percebeu que, muito antes de trocar com ele as primeiras palavras de apresentação, o idoso homem já o havia derrotado. Como um calouro na presença de um respeitável veterano, Musashi ajeitou-se, rígido de constrangimento.”


E agora, pra fechar com chave de ouro, o link pra baixar os livros:

http://www.eborah.xpg.com.br/Eiji_Yoshikawa_-_Musashi_1-doc.zip

http://www.eborah.xpg.com.br/Eiji_Yoshikawa_-_Musashi_2-doc.zip

4 comentários:

  1. Realmente é impossível falar de samurais e não mencionar musashi, o homem a lenda, atravessou gerações e seus inscritos e ensinos são pérolas da cultura oriental para quem tem simpátia e interesse na vida e filosofia samurai.

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  2. Estou curioso para ver , pelo q conversamos realmente me intrigou conhecer a historia de Musashi !!!!

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  3. Vou ler esse livro só pela sua descrição apaixonada. Para mover a mente de um homem tão inteligente, é preciso Amplitude, muita Amplidute nesse conjunto de palavras que se chama o livro Musashi.

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  4. Já li e agora estou lendo pela segunda vez. É uma leitura que prende totalmente a atenção e a riqueza de detalhes da narrativa é incrível.
    Ao terminar o livro, que são 1600 páginas, dá vontade de ler ainda mais!!
    Muito bom!!!

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